Exames e
"Concursos" de bolsa:
O que há por trás disso?
Há alguns anos, não
existia essa estória de "exame de bolsa".
Coisa dos tempos atuais, em que algumas escolas utilizam-se mal de técnicas de
marketing, (já que marketing é relacionamento...) tentando atrair a qualquer
preço, alunos e pais desavisados. Claro, não são todas, mas muitas...
Vejamos como isso aconteceu ao longo dos anos.
Desde 1996 até 2001, o crescimento do número de novas escolas no estado de São
Paulo deu um salto absurdo, enquanto que o número de alunos em idade escolar, na
melhor das hipóteses, estagnou, quando não diminuiu em sua maioria. Para se ter
uma idéia desses números, segundo a empresa CNA Consultoria, esse crescimento de
escolas foi o mesmo (de 1996 a 2001) que entre 1896 e 1996. Isso mesmo, o
crescimento de 100 anos comparados com 6 anos...
O resultado disso é que na média, as escolas particulares de São Paulo (estado)
tiveram nesse período uma perda de 50% em seu número de alunos. Escolas
fecharam, outras fizeram fusões, outras procuraram soluções para resolver esse
problema: adequar seus custos a um número menor de alunos, sem deixar de lado a
qualidade.
No Einstein, essa opção foi estabelecer com nossos pais e alunos uma relação
transparente e de excelência, de maneira a não perder alunos e por conseqüência
de nosso trabalho, conquistar novos. Hoje podemos nos orgulhar de, à
época ficarmos bem longe desse número de 50% de perdas, e mesmo ver nossa escola
crescer ano a ano, tanto em número de alunos, como em qualidade, numa média de
10% ao ano nos últimos 3 anos.
Algumas escolas, entretanto, lançaram mão de outras técnicas de venda de varejo
(como as lojas da 25 de março...), e entre elas o hoje conhecido "exame de
bolsa", onde apenas uma tabela fictícia com preços elevados é apresentada
inicialmente, e após o exame - que em geral não é mostrado aos pais depois - o
preço real é apresentado com um mínimo de "com 25% de desconto pelo resultado da
prova" ou algo assim. E a venda posterior de material didático, no caso das
"escolas-franchising" cobre parte desse desconto... Como faziam os antigos
vendedores de enciclopédia, de porta em porta...
Felizes e iludidos, os pais nem se perguntam se esse desconto acompanhará a vida
escolar do aluno ou se é apenas um chamariz para o primeiro ano. Não questionam
os valores complementares cobrados como "material didático" ou "apostilas",
em geral mais 12 parcelas que comporão os custos da
escola. Não questionam se é lícito prestar um exame em pleno início do segundo
semestre, apesar de faltar ainda um semestre inteiro de matérias e aulas no
último ano do Ensino Fundamental. Não se perguntam nem questionam a escola se
não seria melhor prestar tal exame mais no final do ano e se o fazem, recebem
uma resposta - na melhor das hipóteses evasiva - da escola que quer ver suas
matriculas crescerem imediatamente a qualquer preço, quando não ouvem algo como
"não, não faremos mais exames"... Que cara de pau ! Basta acompanhar e verificar
que em geral, esses exames começam em agosto e vão se repetindo até meados de
fevereiro, mês a mês...
E para fechar o "ciclo da venda", o prazo dado para que os pais façam a
matrícula é imediato, sob péna de "perderem o desconto obtido".
Entretanto, o que considero pior não é nada disso.
Como educador, vejo com pesar a desonestidade de algumas escolas que, ante a
ilusão de algumas famílias em real necessidade financeira, acabam colocando nas
costas de seus filhos, uma responsabilidade que não lhes pertence, como se do
resultado desses exames, dependesse a felicidade e a saúde financeira dessa
família. O garoto (ou garota) se vê, em plenos 14 ou 15 anos - e de alguns anos
para cá com menos idade ainda ! - com a responsabilidade de quem precisa de
qualquer maneira conseguir um resultado bom na prova, sob pena de levar consigo
essa culpa ou esse fracasso familiar.
E como você acha que vai para uma prova, alguém que tem um "saco de pedras" nas
costas além de não ter completado o ano letivo?
Até 1996, como a situação das escolas era mais confortável em termos de número
de alunos, era comum a prática dos chamados "vestibulinhos", que conferiam um
status de prestígio a algumas escolas (novamente o tal marketing em ação!):
"nossa como é difícil entrar lá", diziam os pais decepcionados quando não
conseguiam uma vaga e valorizando a prática em seu discurso sem o perceber.
Naquela época, o Einstein também não fazia "vestibulinhos" (não fazemos e nunca
fizemos!) pois sempre entendemos que Educação é diferente de vendas de
varejo. Nunca escolhemos ou rejeitamos alunos por que teriam mais ou menos
condições de aprender, ou porque trariam mais ou menos dificuldades aos
professores.
E por um simples motivo: aqui no Einstein, nunca dependemos de resultados de
vestibulares para garantir a qualidade de nosso trabalho ou fazer crer que ele
fosse o que não é. Esse resultado positivo é uma decorrência de um trabalho
sério de mais de 40 anos.
A prática dos "vestibulinhos", de maneira geral , utilizou-se dos mesmo
critérios (ou deveríamos dizer, da mesma falta de critérios) que os tais "Exames
e Concursos de Bolsa" faz, colocando a venda de vagas à frente dos princípios
educacionais. Guardadas as devidas proporções e ressalvadas as escolas que
sempre trabalharam sério e com práticas abertas, claras e honestas, hoje, a
maioria das escolas não abre seus "critérios" aos pais.
Sobre a prática dos vestibulinhos, consideramos ser conveniente trazer a nossa
discussão, alguns trechos do Parecer Conselho Nacional de Educação e da Câmara
de Educação Básica (CEB), de número 26/2003 (os grifos são nossos e remetem à
reflexão anteriormente feita):
"...À vista do que foi exposto até aqui, julgamos estarem contemplados na
legislação os princípios que devem orientar a matricula das crianças na educação
infantil e na primeira série do ensino fundamental, em escolas particulares:
1. de acordo com sua proposta pedagógica e com o seu regimento escolar, a
escola colocará critérios para acesso às etapas em que está organizado seu
ensino;
2. os resultados da aplicação desses critérios devem ser parte integrante das
Propostas Pedagógicas e servirem de base para as decisões a serem tomadas
pelas instituições;
3. esses critérios devem ser plenamente conhecidos pelas famílias antes das
crianças serem submetidas a qualquer tipo de avaliação;
4. esses critérios devem se basear em aspectos do desenvolvimento integral
necessários para a criança adaptar-se e poder progredir dentro da proposta
pedagógica da escola;
5. o resultado da avaliação deve ser comunicado sempre em termos qualitativos.
(Leia aqui a íntegra do
Parecer)
Isto posto perguntamos: será justo
e honesto não conhecer os critérios de um exame previamente? Quais os critérios
estabelecidos pela instituição para isso? Não comunicar os resultados, a não ser
por um índice duvidoso, impedindo a família e o aluno de rever a prova feita é
correto?
O Conselho Nacional de Educação acha que não. Nós como educadores também.
Parece-nos que os critérios que deveriam reger os vestibulinhos e os "Exames de
Bolsa", deveriam ser os mesmos dadas as circunstâncias que envolvem os alunos.
Em 2005 o Ministério
Público manifestou-se contra a realização dos vestibulinhos, entrando com ação
judicial contra algumas escolas que assim procediam.
(Veja aqui a ação)
Talvez num futuro próximo, o mesmo aconteça com as escolas que insistem em proceder de maneira danosa, sobrepondo seus desejos ambiciosos aos fundamentos básicos da educação...E se você pensou em submeter seu filho a este tipo de subterfúgio, pelo menos agora tem elementos para saber o que solicitar à escola em questão... e, a partir da resposta, entender onde está querendo colocar seu filho...
Novos tempos...
Mas aqui no Einstein, sabemos que
alguns valores não mudam: respeito, honestidade, responsabilidade.
Nos orgulhamos de ser uma escola de educadores: valores humanos e ensino forte.
Antes de decidir pela escola de seu filho pense na filosofia que direciona esse
futuro.
Afinal, seu filho só tem uma escolha: a que você fizer...